quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Whatever... Capítulo 1

Lá estava Julia, nos seus 1,68 m malhados, com seus olhos azuis e cabelos negros curtos. Estava no seu recém adquirido trabalho de Bargirl na boate Myths. Fazia malabarismos com as garrafas e copos, servia as pessoas, bebia escondido de vez em quando e ficava ouvindo música eletrônica a noite toda. Um trabalho perfeito. O que enchia eram os caras que a abordavam cosntantemente:
- Opa, minha deusa, o quê é preciso ter pra ficar contigo?
A resposta vinha com um sorriso meigo:
- Uma vagina.
A maioria deles sai praguejando coisas como "que desperdício" e às vezes umas palavrinhas chulas, mas todos saíam com o saco na mão.

Ela estava arrumando as garrafas antes que a boate abrisse. Usava um espartilho, um shortinho e uma bota que faziam aparecer as várias tatuagens espalhadas pelo corpo. Era o que a maioria chama de "gostosapracaralho".

Arrumou tudo, lavou as mãos e ficou fazendo malabarismos, só para não perder o costume. Olhava distraidamente o resto da "equipe". O DJ ajeitava sua mesa de som, os garçons estavam entediados, enconstados na parede. O Barman que trabalhava com ela estava conferindo o estoque de bebidas e tudo parecia muito lento ali.

Finalmente chegou a hora de abrir e a música começou a tocar. Ela preparou os copos. Depois de meia hora chegou um pequeno grupo de pessoas, depois mais umas, e aos poucos o lugar foi enchendo. Há muito tempo que ela não tinha um dia de sossego. O lugar era dos mais badalados. O pessoal começou a se chegar no balcão de bebidas e, bem, ela começou a fazer seu trabalho. Os homens babavam. Ela mal podia fazer uma média de quantos davam em cima dela por noite.

Preparou os mojitos, Manhattans, Cuba libres e afins. Estava no meio de uma acrobacia quando avistou uma ruiva de cabelo repicado vindo para o balcão. A garrafa fez um baque surdo quando caiu no chão emborrachado. As pessoas nem notaram muito, somente as que esperavam drinques. Ela ficou parada por um tempo e, como se acordasse de um torpor, se abaixou rapidamente e pegou a garrafa. Terminou o drinque e se virou para a ruiva. A mulher olhou pra ela intensamente. Puxou ela e falou em seu ouvido:
- Sentiu minha falta?

Seus batimentos aceleraram como a muito não faziam. Ela ficou tensa.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Maria foi com as outras

Gosto tanto do teu beijo
curto tanto teu abraço

(Ó meu Deus, o que eu seria
sem os lábios de Maria?)

São tão lindos teus trejeitos,
São tão belos os teus traços

(Ó meu Deus, só beijaria
os doces lábios de Maria)

Mas então ela falou
que é uma daquelas soltas

(Ô meu Deus o que farei
se ela não beijarei?)

Ela as coisas arrumou.
Então Maria foi com as outras...

(Ó meu Deus eu já não sei
se à noite eu dormirei)

Pois Maria era o amor
E o amor é coisa escrota...

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

"A meretriz"

Oi, tudo bem?
O meu nome é João, mas tudo bem
Não precisava falar, pois sei bem
que você não vai lembrar

Já não ligo se você é tão maneira
se você é uma morena tão faceira
eu só quero saber:
Cadê minha carteira?

Ó, indecente!
tu que muda de gosto tão de repente,
olha bem na minha face e diz se mente,
se me amas não disfarce

Não ligo se o meu nome tu não sabes,
só não quero que me prenda em seus enclaves,
mas eu quero saber:
Cadê as minhas chaves?

Permita-me a partida
Já estou me demorando em sua vida,
logo hoje que estou tão indisposto,
repito a cena da despedida...



Música composta por mim.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Capítulo 1 - O homem que queria um amendoim


Era uma vez um homem. Isso, um homem. Normal como são os homens. Ele era rei de um país. Rei de um reino, na verdade. Qual a diferença mesmo? Bom, ele queria um amendoim. Era um ótimo rei, mas queria um amendoim. O que 'quereria' um rei com um amendoim? Isso é óbvio, afinal os amendoins tem em sua única razão de ser causar o desejo alheio.

O rei tinha um cavalo castanho, que batizou de Castanha, mas ele não queria castanha, queria amendoim. Não haveria de ter amendoim no reino, vocês me perguntam. Não, não havia, senão o rei não haveria de querer um amendoim. Amendoins são serelepes e pimpões, vivem evadindo-se dos reis. Bem, os amendoins não acreditam que são amendoins, portanto seres inanimados.
Simplesmente saem por aí tentando os reis alheiamente. Talvez um pré-requisito para a felicidade seja a negação de sua/nossa própria condição inanimada. Não só para os amendoins, afinal somos todos inanimados. Mas é, o rei queria um amendoin.



"ilustração by Me"

domingo, 7 de novembro de 2010

Egoísmo

Depois de uma pá de tempo postando conteúdo lírico volto a postar em desabafo e esclarecimento. Bom, as pessoas vivem me dizendo que eu sou egoísta. Eu mesmo assumo que sou egoísta. Eu sou volúvel. Sou também o que podemos chamar de cafajeste. Devo, porém, ante um equívoco muito cometido e cheio de confusões, esclarecer uma coisa. Existem dois tipos de homem: O cafajeste e o canalha. São muito parecidos mas completamente diferentes. Sei que parece meio paradoxal, mas irei explicar. O cafajeste é aquele que não presta, sabe que não presta, exercita o que não presta e assume que não presta. Você deve pensar "nossa, desse nem chego perto", mas vai pensar de outra forma. O Canalha é aquele que NÃO presta, sabe que não presta, exercita o que não presta e NEGA ATÉ A MORTE que não presta. Disso podemos tirar uma conclusão básica: Nenhuma homem presta. Mas, entre os que não prestam, é melhor escolher os sinceros, que pelo menos valham a pena. É assim que eu penso.

Bom, voltando ao egoísmo... Me dizem para pensar mais nos outros, para ajudar mais, para ser bom... Ah, existe outro equívoco muito cometido! Muita gente pensa, "ah eu sou uma pessoa boa porque eu nunca matei, nunca roubei, nunca bati em ninguém, bla, bla, bla...". A essas eu respondo: Porra nenhuma! Se você nunca fez nada disso você é apenas neutro! Nada mais! Uma pessoa boa é aquela que, além de não cometer o mal, exercita, indiscriminadamente, o bem. Quaaaase não existe gente assim. Bom, antes que eu me perca; egoísmo! Cara, egoísmo não é você fazer o que quer; egoísmo é você querer que os outros FAÇAM o que você quer! Simples assim! Resumidamente falando, diante dessa conclusão é inegável que eu NÃO sou egoísta! Egoísta é quem diz pra eu ser diferente! Mas enfim, Esqueci o que eu ia falar realmente depoios de tantas voltas... Fico por aqui mesmo.

Falouras... õ/

terça-feira, 2 de novembro de 2010

As folhas secas que voam...

E tudo veio, e tudo foi,
pois o verão sempre deixa as flores pra depois.
E quando a gente se encontra
não há mais aquela festa,
não há mais o libído olhando pela fresta.
Mas a gente já basta,
pois já achei o que eu queria,
achei tudo na beleza séria de maria...



[composição minha. Em breve, música...]

sábado, 30 de outubro de 2010

Sabe?

Sabe quando a amizade se desgasta?
Sabe quando o amor se gasta?
Sabe quando já não basta?
Sabe quando a solidão se alastra?
Pois é.

E sabe aquela vontade?
Sabe quando chega a idade?
Sabe o ritmo da cidade?
Sabe a falta de maldade?
Pois é.

E Sabe aquela tristeza?
Sabe o copo lá na mesa?
Sabe o caos na natureza?
Sabe o culto à beleza?
Pois é. É a vida

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Aquilo

Da tua flor me fiz em vida
pois, da igenuidade perdida,
conheci o sabor.

Nas tuas brasis faces coradas,
de respiração entrecortada,
me perdi sem pudor.

E na entrega
quando a gente se apega
à tudo a gente nega
numa felicidade cega.

E no fim,
pairando sobre o clima tenso,
resta um ar intenso
e o ressoar dos clarins...



[Anônimo da Silva]

sábado, 2 de outubro de 2010

Ploc, ploc, ploc

Ploc, ploc, ploc, faziam as barulhentas sandálias coloridas da sra.Ballison. Ela foi até a cozinha pequena e abafada.

Ploc, ploc, ploc, fazia a água caindo da torneira mal-fechada. Fechou a torneira e fez sua xícara de café fumegante e bem forte.

Ploc, ploc, ploc, ela voltava para o seu quarto aconchegante e bem-mobiliado. Tomou seu café. Ploc, ploc, ploc, fazia a janela antiga e rangedora, meio-aberta.

Ploc, ploc, ploc, foi até lá e fechou a janela. Ploc, ploc, ploc, voltou e se sentou. Ligou a TV. Passava um jogo de tênis.

Ploc, ploc, ploc, a bola para lá e para cá. Ploc, ela ouviu a porta da frente fechando. Ploc, ploc, ploc, ouviu passos pesados pelo corredor.

Ploc, a porta se abriu. Um estranho. Apontou-lhe uma arma. Disparou três vezes. Ploc, ploc, ploc, fizeram as cápsulas no carpete velho.

Ploc, ploc, ploc, foi embora com tudo de valioso. Ploc, ploc, ploc...

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Liberté

Era fim de tarde. Fim mesmo. O sol se punha, constrangido, tingindo de rosa o firmamento com uma luz que aos poucos se exauria. A iluminação rosada deixava um ar pesado e delirante, triste. E lá vinha ele, aquele homem caminhando calmamente. Não era muito velho, mas parecia cansado, como se carregasse uma bagagem de vida imensurável. Vinha de cabeça baixa, olhos semicerrados, maõs nos bolsos. Recordava das brincadeiras de infância no parque, rua, risos. A sina humana, viver sempre a olhar para trás.

Foi sentar-se no ipê do canto, perto da grade. Era distante, vazio e coberto de folhas secas; Eram, o local e o homem. A tarde morna de domingo que sempre trás aquele ar depressivo. Sobriedade, melancolia. Acendeu um cigarro. Tragou, soltou e sentou-se.

Fitou as nuvens, pensativo. Pôs a mão no bolso e de lá tirou uma arma. Olhou para ela, ela olhou pra ele. Soltou um riso tenso e encostou o cano na cabeça. Bang! Uma revoada de pássaros assustados. Caiu de lado, inerte, regando a grama com sua vida. O sol agora se fora, deixando apenas uma fita púrpura no horizonte. O vento soprou frio. O homem jazia no chão com um sorriso sarcástico distorcendo os lábios. "Fodam-se, agora vou ser livre.", foi o que pensara quando riu. Enfim, liberdade, liberdade.