Lá estava Julia, nos seus 1,68 m malhados, com seus olhos azuis e cabelos negros curtos. Estava no seu recém adquirido trabalho de Bargirl na boate Myths. Fazia malabarismos com as garrafas e copos, servia as pessoas, bebia escondido de vez em quando e ficava ouvindo música eletrônica a noite toda. Um trabalho perfeito. O que enchia eram os caras que a abordavam cosntantemente:
- Opa, minha deusa, o quê é preciso ter pra ficar contigo?
A resposta vinha com um sorriso meigo:
- Uma vagina.
A maioria deles sai praguejando coisas como "que desperdício" e às vezes umas palavrinhas chulas, mas todos saíam com o saco na mão.
Ela estava arrumando as garrafas antes que a boate abrisse. Usava um espartilho, um shortinho e uma bota que faziam aparecer as várias tatuagens espalhadas pelo corpo. Era o que a maioria chama de "gostosapracaralho".
Arrumou tudo, lavou as mãos e ficou fazendo malabarismos, só para não perder o costume. Olhava distraidamente o resto da "equipe". O DJ ajeitava sua mesa de som, os garçons estavam entediados, enconstados na parede. O Barman que trabalhava com ela estava conferindo o estoque de bebidas e tudo parecia muito lento ali.
Finalmente chegou a hora de abrir e a música começou a tocar. Ela preparou os copos. Depois de meia hora chegou um pequeno grupo de pessoas, depois mais umas, e aos poucos o lugar foi enchendo. Há muito tempo que ela não tinha um dia de sossego. O lugar era dos mais badalados. O pessoal começou a se chegar no balcão de bebidas e, bem, ela começou a fazer seu trabalho. Os homens babavam. Ela mal podia fazer uma média de quantos davam em cima dela por noite.
Preparou os mojitos, Manhattans, Cuba libres e afins. Estava no meio de uma acrobacia quando avistou uma ruiva de cabelo repicado vindo para o balcão. A garrafa fez um baque surdo quando caiu no chão emborrachado. As pessoas nem notaram muito, somente as que esperavam drinques. Ela ficou parada por um tempo e, como se acordasse de um torpor, se abaixou rapidamente e pegou a garrafa. Terminou o drinque e se virou para a ruiva. A mulher olhou pra ela intensamente. Puxou ela e falou em seu ouvido:
- Sentiu minha falta?
Seus batimentos aceleraram como a muito não faziam. Ela ficou tensa.
Nenhum comentário:
Postar um comentário