quinta-feira, 15 de julho de 2010

Pessoas e Fernando Pessoa

Eu não sei o porquê, mas meu hobby preferido é conhecer pessoas novas. Sério, é algo que me fascina. Quando conheço uma pessoa realmente interessante fico viciado nela por um tempo. Às vezes meu interesse passa logo mas há sempre chances de acontecer uma grande amizade. Me interesso, basicamente por pessoas (muito mais frequentemente mulheres): Bonitas, inteligentes, estilosas, loucas, habilidosas ou com cabelo foda. Há casos em que encontro uma pessoa com todas essas características e, como vocês devem imaginar, eu me sinto tão impelido a conhecê-la quanto um esquilo meio calvo e usando um chapéu de côco e ostentador de grandes suiças tem libido e tara por nozes carameladas cobertas com chantilly. Enfim, adoro pessoas.

E falando em pessoas, o meu poeta preferido é Fernando Pessoa. É interessante porque quando você curte ele você também curte outros 120 poetas pelo preço de 1. Isso mesmo, ele foi o cara mais escroto no que diz respeito a heterônimos (escrever e depois usar um heterônimo para assinar, um outro nome). Não confundam com pseudônimo. Ele não só escrevia por esses cento e tantos poetas mas também tinha uma identidade diferente para cada um, um estilo de escrita diferente em cada um e até mesmo uma biografia diferente para alguns. Ele, com um dos principais heterônimos, dominava a arte do "grau zero" em suas poesias. O grau zero consiste em conceber uma poesia aparete e supostamente simples, rasa, mas que, justamente por isso, revela algo bem mais profundo, algo de uma filosofia infinita. Aqui vão alguns fragmentos, poesias e pensamentos que gosto muito e que seguem a idéia do grau zero:

"O próprio viver é morrer, porque não temos um dia a mais na nossa vida que não tenhamos, nisso, um dia a menos nela."


"
O que nós vemos das cousas são as cousas.
Por que veríamos nós uma cousa se houvesse outra?
Por que é que ver e ouvir seria iludirmo-nos
Se ver e ouvir são ver e ouvir?

O essencial é saber ver,
Saber ver sem estar a pensar,
Saber ver quando se vê,
E nem pensar quando se vê
Nem ver quando se pensa.

Mas isso (tristes de nós que trazemos a alma vestida!),
Isso exige um estudo profundo,
Uma aprendizagem de desaprender
E uma seqüestração na liberdade daquele convento
De que os poetas dizem que as estrelas são as freiras eternas
E as flores as penitentes convictas de um só dia,
Mas onde afinal as estrelas não são senão estrelas
Nem as flores senão flores.
Sendo por isso que lhes chamamos estrelas e flores."



"Tudo que existe existe talvez porque outra coisa existe. Nada é, tudo coexiste: talvez assim seja certo..."

(Fernando Pessoa)




Ah, gosto muito do Fernando Pessoa. Se alguém estiver interessado em poesias eu também recomendo Olavo Bilac, muito bom também. Bom, fico por aqui. Hasta Luego :*




[ Ah, lembrando que falei sobre minha mania de pessoas novas, se alguém estiver interessado: mateus-pk@hotmail.com ]

4 comentários:

  1. Conheço um pouco das palavras da pessoa Fernando Pessoa. É muito interessante.O que mais gosto é que suas poesias são escritas de maneira inteligente, se simplesmente passar o olho, não vai entender. Ele não é óbvio.
    Coisas óbvias não são interessantes. Por que nos interessariamos por coisas que já conhecemos? Por isso é legal conhecer pessoas.

    ResponderExcluir
  2. Isso, isso, muitas dorgas manolo, Traduziu meus pensamentos (y).

    ResponderExcluir